terça-feira, 18 de maio de 2010

revelação II


Hoje o meu filhote, numa das suas grandes argumentações para evitar o banho, disse que se tomasse banho, o seu cão (o tal imaginário) iria ficar zangado com ele e que se ia embora.
Ainda assim, mandámo-lo para o banho. Ele reagiu mal e fê-lo a puxar para o grito. O pai meteu aquela voz típica dos pais, grossa e sem brincadeira e o meu menino encaminhou-se para o banho. Mas a chorar. (antigamente, nem se piava)
Chegado ao banho, fala-me que estava triste por ter mentido ao dizer que era o seu cão quem não queria que ele tomasse banho e, com uma voz triste, diz-me:
-Mãe, eu tenho uma coisa para te dizer. O meu cão não existe.
-Não faz mal, amor- respondi.lhe.

Cortou-me a alma. Apesar de saber que, na grande maioria das vezes o cão é o bode expiatório, partiu-me o coração.
Mas sei que amanhã ele vai voltar a falar no seu cão que já lhe deu a experimentar alface e que ele não gostou, por isso não vale a pena eu tentar mais vez nenhuma.
(estão a ver a vantagem de se ter um cão imaginário? Nunca me lembrei foi desta quando era criança. Se calhar, agora, continuava a não comer ervilhas).

3 comentários:

...uma nota... disse...

Um verdadeiro fofinho...não gosto muito de pescada, mas agora ja sei o que dizer...

Lindoooooo.

CS disse...

No nosso tempo, uma história dessas dava direito a levar por não querer comer, a levar por inventar histórias, a levar por deixar os nossos pais nervosos, a levar por que chovia lá fora. Enfim, levavas um carolo e pronto! Nem um pio...

SP1 disse...

CS... sooooo true... no meu tempo é que era. andávamos sempre fininhos, com ou sem cães.